07/08/2007
Empresário Mário Gomes é identificado pelo IML




Roberto Corrêa Gomes, irmão de Mário Gomes, morto no acidente com o vôo 3054 da TAM, enviou o seguinte comunicado à redação de ÉPOCA:

Após 21 dias de espera pelos familliares, foi identificado na manhã desta terça (7) o corpo do empresário Mário Lopes Corrêa Gomes. Natural de Porto Alegre, divorciado e sem filhos, Mário Gomes era proprietário da Digital Network, empresa situada no bairro Bela Vista, em Porto Alegre, dedicada à engenharia de imagem e à otimização de recursos para transmissão de anúncios publicitários das agências de propaganda para veículos de comunicação.

Inovadora, a empresa recebeu o prêmio Talento Empreendedor, do Sebrae, nos anos 2002 e 2003, na categoria Inovação Tecnológica e, em 2006, foi case do Sebrae na categoria Qualidade.

Com a Digital Network completando 10 anos no mercado, no próximo mês de novembro, Mário Gomes expandiu os negócios e abriu unidades da empresa nos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Dois dias antes do acidente, Mário, que era de uma família numerosa de sete irmãos,
comunicou aos familiares que pretendia mudar para São Paulo. Ele queria ficar mais próximo
dos grandes centros de negócios e evitar s viagens aéreas freqüentes que
fazia à capital paulista.

O corpo de Mário Gomes será velado na Salão Nobre do Cemitério Jardim da Paz, em
Porto Alegre, nesta quarta-feira (8) a partir das 12 horas. O enterro será às 18h.

Comentários Comentários () > Link da nota

03/08/2007
O desabafo de um filho



Fábio, 27 anos, filho mais velho de Henrique Stephanini Di Sacco, um dos pilotos que comandavam o vôo 3054, recorreu ao papel e à caneta para expressar sua indignação. Piloto da TAM desde 2005, Fábio estava rodeado por colegas de trabalho quando assistiu, na última quarta-feira (1), à sessão da CPI do Apagão Aéreo. Enquanto deputados liam os diálogos da tripulação segundos antes da colisão do Airbus 320, Fábio e os pilotos que estavam à sua volta reagiram indignados às interpretações distorcidas dos parlamentares. “Vi a sessão da CPI ao lado de colegas de profissão, gente que realmente entende de aviação. E todos ficaram pasmos”, afirma. "Estamos envergonhados pela conduta dos dirigentes brasileiros. Não são técnicos falando, são pessoas leigas que não sabem o que dizem sobre isso", diz Paulo, 24 anos, filho mais novo do comandante Di Sacco. A indignação resultou na carta publicada a seguir, enviada com exclusividade à reportagem de Época.

Por que revelar o conteúdo da caixa preta que mostra a transcrição de vozes? E ainda mais, por que ser analisado por pessoas que não entendem nada do assunto? Foi ridícula a cena daquelas pessoas na CPI da crise aérea. Primeiro porque não sabiam nem traduzir adequadamente as transcrições. Em segundo, muitos erros foram cometidos ao tentar explicar dados técnicos. Em terceiro, em que isso vai mudar? Será que não compete a técnicos especializados fazer a investigação? Me causa muita dúvida saber que uma autoridade permita que tais dados sejam revelados antes mesmo de haver uma conclusão técnica sobre a causa do acidente.

Já que todos se perguntam qual a causa do acidente, por que não perguntar por que tantas pessoas morreram? A princípio a resposta parece óbvia, um avião lotado, cheio de combustível, bate de frente com um prédio. Mas a resposta que eu encontro é: houve falta de planejamento e ninguém deu atenção para um fato tão relevante.

A área de segurança da pista de Congonhas (área de escape) segue o padrão internacional? Precisou um acidente dessas proporções para só agora pensarem em aumentar a segurança do aeroporto. O órgão que fiscaliza a segurança não pôde prever antes a possibilidade de que um acidente dessas proporções poderia acontecer? Será tão difícil imaginar que qualquer falha mais grave durante o pouso pode resultar num acidente como o do vôo 3054, em se tratando de Congonhas?

Agora, seguindo a falta de planejamento, tardiamente correm atrás do prejuízo. Expresso aeroporto, transferência de vôos para outros aeroportos, área de escape, isso tudo que se tem ouvido falar não poderia ter sido pensado antes?

Faltou planejamento? Se faltou, então de quem é a culpa por tantas mortes? Se não faltou, então faltou o que? Se todos estão ocupados fazendo o serviço dos investigadores, quem está pensando no planejamento do que deve ser feito daqui para frente para que outras tragédias como a do vôo 3054 não volte a se repetir?
(Ana Paula Galli)

Comentários Comentários () > Link da nota

02/08/2007
Parente de vítima divulga ata de reunião com a TAM

A redação de ÉPOCA recebeu o seguinte comunicado, enviado por Roberto Gomes, irmão de Mário Gomes, vitima do vôo JJ 3054 da TAM:

"Envio um relato do encontro da TAM com os familiares das vítimas, realizado no dia 27 de julho no Hotel Blue Tree do Ibirapuera. A reunião gerou um acordo frente a reivindicações dos familiares e não envolve qualquer tipo de indenização, assunto que será tratado futuramente.

O encontro durou cerca de 3 horas e meia. Iniciou-se Às 17 horas e foi uma resposta da empresa ao ofício que os familiares enviaram à TAM.

Inicialmente, os diretores, nominados na ata, entraram com um batalhão de seguranças,
o que irritou os familiares, que se sentiram ofendidos, como se fossem meliantes. Tão
logo percebeu-se que era um encontro de pessoas feridas, abaladas, porém dignas,
civilizadas e organizadas, os seguranças foram retirados."

Leia a ata da reunião

Comentários Comentários () > Link da nota

01/08/2007
Divulgado diálogo entre pilotos na cabine do vôo 3054 da TAM

Diante dos dados publicados hoje no jornal Folha de S. Paulo, a CPI do Apagão Aéreo, que faria uma sessão sigilosa nesta quarta (1º), decidiu abrir a reunião para a imprensa. Transmitida ao vivo pelas redes de TV, a sessão divulgou o diálogo entre os pilotos na cabine de comando minutos antes do vôo. A transcrição segue abaixo, em que Hot 1 é o primeiro piloto e Hot 2, o segundo.

Hot 1: Está ok? Tudo certo?
Hot 2 diz que está tudo OK na cabine e pergunta onde irão pousar.
Hot 1: Eu acabei de informar.
Hot 2: Eu não ouvi, desculpe, ela falando.
Hot 1: Mas ela ouviu. Congonhas.
Hot 2: É Congonhas? Que bom. Ela deve ter ouvido, obrigado.
Hot 1: Lembre-se que temos apenas um reverso.
Hot 2: Sim, nós só temos o esquerdo.

TAM 3054 reduz velocidade para aproximação e chama a torre.

Hot 1: Boa tarde.
Hot 2: Boa tarde
Hot 1: Torre de São Paulo, aqui é TAM 3054.
Torre: TAM 3054 reduza a velocidade mínima para aproximação. O vento é norte 106.
Hot 1: Eu vou reportar quando estiver ok.
Torre: Autorizado.

[Nesse momento, o avião estava a 6000 pés. Os trens de pouso descem.]
[Check list final. Uma verificação indica que a aeronave passa por Diadema.]
Piloto avisa cabine de comando de que estava pronto para pousar.

Hot 1: Aterrissando sem azul. Pista de chegada à vista, pousando.
Um dos comissários pergunta à torre sobre a condição da chuva, da pista, se ela está escorregadia.
Hot 1: TAM em aproximação final a duas milhas de distância. Poderia confirmar condições?
Torre: Está molhada e ainda escorregadia
Torre: Eu reportarei quando a 35 estiver liberada. 3054 na final.

Torre responde que outra aeronave está começando a decolar.

Torre: TAM 3054 autorizado para pousar. A pista está molhada e escorregadia. O vento é 330 a 8 nós.
Hot 1: 330 a 8, é o vento. Torre: Checado, 3054, 3054 Roger. Hot 1: Ok. O pouso está liberado. Pouso verde, vôo manual. FWC: Inibido a descida para mim. Tira o sinal.
Hot 2: Um ponto agora. Ok?
Hot 1: Ok. FWC: Ok. Retardar, retardar.

[Som do movimento do acelerador. Barulho do motor aumenta. Som de toque na pista.]

Hot 1: Reverso 1 apenas. Spoilers nada.
Hot 2: Olhe isso. Desacelera, desacelera.
Hot 1: Eu não consigo, eu não consigo. Ô meu deus, ô meu deus.
Hot 2: Vai, vai. Vira, vira, vira.

[Som de batida. Pára som de batida.]

Torre: Ah, não.

[Som de gritos. Voz feminina. Som de batida.]

Vazamento
Segundo o vice-presidente da CPI, Eduardo Cunha, o vazamento de informações, classificadas como sigilosas, não se deu a partir da comissão. "Nada vazou daqui. Vamos pedir uma sindicância", disse o vice-presidente da CPI, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que considerou a divulgação um desrespeito com a CPI.

Comentários Comentários () > Link da nota

31/07/2007
O fim de um futuro a dois

Quando veio para São Paulo no começo do ano, a estudante Karine Andrea Carneiro, de 21 anos, trazia junto o sonho de um futuro a dois. Ela saiu de Carambeí, no Paraná, para morar com o noivo, Gustavo Pereira Rodrigues, de 23 anos. Juntos há sete anos, com aliança de noivado há quatro meses, Karine e Gustavo não poderão concretizar seus planos. Ele foi uma das vítimas do acidente do vôo 3054 da TAM. Gustavo era consultor estratégico da empresa Bain & Company. A TAM era uma de suas clientes. Ele estava no prédio da companhia aérea para uma reunião.

Karine tentou transferir o curso de publicidade para uma universidade em São Paulo em janeiro. Não conseguiu. A transferência sairia em agosto. Mas Karine não quer mais a transferência. Voltou para a casa dos pais no Paraná. "Minha vida era a vida dele. Meus amigos eram as pessoas que trabalhavam com ele. No apartamento vivíamos só nós dois. Ele era o motivo para eu enfrentar São Paulo", diz.

Sem ninguém na cidade, Karine estava sozinha quando soube do acidente pela televisão. A empresa em que Gustavo trabalhava mandou dois funcionários para Karine ser amparada. "Mesmo assim foi difícil. Agradeço, mas não era família, amigos", afirma. Ela diz várias vezes o quanto tinha certeza que Gustavo chegaria longe. Karine não sente fome, nem sede. A família tem que lembrá-la de se alimentar. Ela chora todo dia. "Tudo o que aprendi foi com o Gustavo".

No dia em que Karine conversou com a reportagem de ÉPOCA, o corpo de Gustavo ainda não havia sido identificado. "Só queremos encontrá-lo para fazer o ritual de encerramento, terminar tudo. Fazer uma homenagem. E descansar o coração". Era o contato de Karine que estava no Instituto Médico Legal (IML). No momento do acidente, ele estava sem documentos ou objetos que ajudassem no reconhecimento. "Imagine como me senti quando disseram que a única coisa que poderia ajudar na identificação era a nossa aliança, com meu nome gravado". A voz de Karine embarga. A entrevista se encerra. O corpo de Gustavo ainda não foi identificado.
(Suzane Frutuoso)

Comentários Comentários () > Link da nota

31/07/2007
Para Infraero, pista de Congonhas é segura

O superintendente de empreendimentos e engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, disse em depoimento à CPI do Apagão Aéreo na manhã desta terça-feira (31) que a pista do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, atende plenamente as condições de pousos e decolagens. Para Schneider, a pista não contribuiu para o acidente com a Airbus da Tam que matou 199 pessoas no último dia 17 de julho.

Em seu depoimento, Schneider ainda reclamou do julgamento prévio que a entidade sofreu logo após a tragédia. "Fomos condenamos sem que aguardassem as conclusões das investigações", disse. Para ele, a pista de Congonhas pode ser classificada como “difícil”, mas o único problema que ela apresentava era o acúmulo de água da chuva e que isso já havia sido resolvido pela Infraero antes do acidente com o Airbus.

Outros dois depoimentos foram marcados para esta terça-feira na CPI do Apagão Aéreo, o do presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, e José Eduardo Batalha Brosco, piloto da TAM que comandou o Airbus acidentado no dia último dia 16, véspera do acidente.

Comentários Comentários () > Link da nota

30/07/2007
Parentes das vítimas do vôo 3054 criam site secreto

Familiares das vítimas do acidente com o Airbus da TAM criaram um site, no ar desde a última sexta-feira (27), para cadastrar e organizar informações sobre os processos de identificação e sepultamento dos mortos no acidente. Para acessar o endereço, os familiares das vítimas precisam ter um login (identificação) e uma senha. A idéia dos criadores do site é justamente essa: limitar o acesso somente aos familiares.

O site foi criado no Rio Grande de Sul e em São Paulo está sendo atualizado pelos familiares do empresário Mário Gomes, de 49 anos, morto no acidente. Roberto, Josmar - irmãos de Mário, e Thiago- sobrinho da vítima- fazem visitas informais ao Instituto Médico Legal (IML) para acompanhar o andamento das identificações e atualizam diariamente no site um mapa com a localização das vítimas dentro do avião.

Os familiares também estão montando um arquivo de matérias publicadas na imprensa para reunir o maior número de informações sobre a tragédia.

Comentários Comentários () > Link da nota

30/07/2007
Carta aos brasileiros

ÉPOCA recebeu uma carta de Elena, madrinha de Caio Augusto Bueno Dal Prat, 12 anos, e Rafaella Bueno Dal Prat, 17 anos, vítimas do acidente com o Airbus 320 da TAM no último dia 17. No texto abaixo, ela divide um pouco da dor por que passou e convoca os brasileiros a lutar pelas vidas que ficaram.

Amigos,
Todos devem estar chocados com a tragédia ocorrida com o avião da TAM na terça-feira (17).
Mas, como é padrão do cidadão brasileiro, nos chocamos e aceitamos, de cabeça baixa a tudo que nos acontece nesse país.

Quantos de nós já foram assaltados, seqüestrados, roubados e enganados? Quem de nós já fez alguma coisa a respeito?

Eu nunca fiz nada...

Nessa terça-feira eu vivi o que pode ter sido a gota d’água.

Quis o destino que naquele avião estivessem Caio e Rafaella, meus dois afilhados, filhos de minha amiga-irmã Christiane, conhecida por todos como Pituca.

Não quero aqui falar de como as crianças eram maravilhosas, todas as vidas que estavam naquele avião eram maravilhosas. Nem quero falar do sofrimento da mãe, que é óbvio e notório. Pituca é a mãe que comoveu todo o Brasil, flagrada pelos repórteres em sua dor ao saber da notícia.

Eu acompanhei os momentos de agonia de minha amiga, pois liguei para avisar sobre o incêndio no aeroporto. Queria que ela pegasse as crianças e saísse o mais rápido possível de lá. Ela estava surpresa...Não sabia de nada e o vôo constava como atrasado. A partir daí, deu-se início o inferno...

De um lado, a mãe desesperada sem nenhum tipo de informação. De outro, eu ligada em todos os meios de comunicação para passar a elas as poucas informações que conseguia.
O Brasil já sabia o número certo do vôo e a ausência de sobreviventes; a mãe continuava em seu desespero, sem informação, sem amparo, sendo perseguida por repórteres no saguão do aeroporto.

O telefone 0800 divulgado pela TAM estava ocupado e as autoridades nada fizeram para criar uma forma de se aproximar do local e estar perto de quem precisava.
Pedi ajuda a meus amigos da Graber para conseguir uma viatura que me levasse de moto até o local, furando o trânsito e o bloqueio. Uma amiga conseguiu a informação de que familiares poderiam entrar no Pavilhão das Autoridades onde as famílias das vítimas estavam reunidas.

E foi assim, com a ajuda de amigos, que consegui ficar perto da Pituca.

E o que eu vi lá?

Em uma sala que é chamada de Sala de Crise, familiares desesperados, sem nenhuma informação oficial, clamavam por notícias. Funcionários voluntários nos perseguiam oferecendo água, comida e café para pessoas que não tinham apetite.

Autoridades entravam e saíam da sala sem dizer nada. Na porta, jornalistas entrevistavam autoridades. Para os familiares, silêncio total e a prisão. Não nos era permitido sair da sala, as portas estavam guardadas pela Polícia Federal. A mãe, sufocada, queria sair para
tomar um pouco do ar gelado e os policiais nos barravam!

Finalmente, anunciaram a lista das vítimas, a primeira continha alguns poucos nomes.
Depois, outra lista: a de quem não estaria no vôo, apresentava erros! Ouvi alguns protestos de familiares indignados. Vocês estão brincando com a gente?

Por volta das 3 da manhã, após divulgação em cadeia nacional, é que nos foi passada a lista completa das vítimas; após 8 horas de espera.

Um vazio... desnecessário descrever.

Fase 2: o reconhecimento dos corpos.

Pituca tem dois irmãos médicos. Enquanto um assumia o papel de guardião da família, ficando perto e medicando a mãe, os avós e todos que precisassem, o outro passava os dias no IML para acompanhar os trabalhos.

O funcionário/voluntário TAM (Alex) ligou avisando que os corpos haviam sido encontrados. Ele havia ficado tão comovido com a história do Caio e da Rafa que havia entrado no Orkut para ver as fotos. Ao ver que a Rafa tinha um piercing, avisou a equipe e agilizou um processo que pode levar meses.

Estive no IML para levar algumas coisas das crianças. Vi funcionários bem intencionados, comovidos, porém mal treinados e confusos e que conhecem apenas parte do processo - falta gestão e profissionalismo.

A estrutura é absolutamente arcaica e ineficiente. As fichas de liberação são datilografadas, como nos velhos tempos, e qualquer erro pode levar horas para ser corrigido.

O enterro foi um dos mais bonitos que já vi e algumas cenas me marcaram... Como a de um rapaz, que vestido todo de preto ficou de pé por horas na porta do velório, tremendo emocionado e solitário em total silêncio. Era o melhor amigo da Rafa.

Ou dos avós que, ao assistirem o enterro dos netos, apertaram as mãos discretamente com força.

A dor do pai e da mãe é impossível descrever...

Por que estou escrevendo isso?

Queria dividir com vocês essa experiência. Essa visão de como temos dois mundos diferentes e opostos em nosso país.

De um lado:
- heróis anônimos do dia-a-dia que fazem tudo para ajudar. Voluntários que interrompem a vida para dar apoio a outras pessoas;
- famílias guiadas pelos valores da honestidade, amor, solidariedade e paz; como da Pituca e do Ítalo (o pai), que não mereciam passar por isso;
- amigos que pararam tudo para ajudar, como o Eduardo, o padrinho da Rafa, que dedicou os últimos dias a cuidar do pai das crianças e ajudar em todo o processo;
- irmãos, cunhadas, primos e primas que, se pudessem, pegariam um pouquinho da dor para si se isso fosse aliviar a dor dos pais.

De outro:
- autoridades que mostram descaso com tudo e todos;
- um presidente que nada fez e nada faz;
- gestos obscenos;
- gestos de descaso.

O que fica disso tudo?

Essas vidas já se foram, mas outras ficaram: a de seus filhos, sobrinhos, netos e até afilhados.

Nós vamos nos unir e lutar pelas vidas que ficaram. Lutar pelo amor, pela decência, pela virtude, pelo valores que sempre guiaram nossas vidas.

E talvez a gente precise de sua ajuda, como da de tantos outros brasileiros.

Comentários Comentários () > Link da nota

30/07/2007
Atrasos em Cumbica; Normalidade em Congonhas

O Aeroporto Internacional de Cumbica, em São Paulo, começa a semana com 26% de seus vôos atrasados. Das 0h às 11h desta segunda-feira (30), 21 dos 80 vôos programados sofreram atrasos superiores a uma hora. Até o momento, somente um vôo foi cancelado. Apesar dos atrasos, o movimento em Cumbica é considerado normal. Nesta segunda, o Aeroporto recebe 52 vôos que deveriam sair de Congonhas, na zona sul de São Paulo.

Em Congonhas, o movimento é mais tranqüilo. Com as duas pistas operando normalmente e com visibilidade boa, apenas um vôo registrou atraso superior a uma hora e nenhuma partida foi cancelada. A venda de passagens para o Aeroporto, que havia sido proibida pela Anac na semana passada, já foi liberada. Somente vôos superiores a duas horas e fretados continuam proibidos de decolar de Congonhas.

Comentários Comentários () > Link da nota

27/07/2007
Um olhar sobre os familiares das vítimas da TAM

Entrar no hotel Blue Tree Towers Ibirapuera é como visitar um teatro. No centro do palco, os tristes atores são os familiares das vítimas do desastre aéreo da TAM. Os espectadores, ávidos por cenas e declarações, são os repórteres de jornais e de TVs, que montaram plantão no hall da torre de vidro. Os seguranças são funcionários contratados pela empresa aérea para manter os hóspedes assistidos nos dois sentidos da palavra: confortados e vigiados.

Os hóspedes estão longe de casa, fora da rotina, sem trabalhar, num hotel de luxo e com muito conforto. Mas não estão ali para descansar. Suas férias foram forçadas pela tragédia. Uma amálgama de dor e solidariedade parece tê-los tornado, em poucos dias, grandes companheiros. Nos corredores, apertos de mão, abraços, compaixão. No subsolo do hotel, eles formaram seu QG, com laptops plugados constantemente em sites de notícias. Ali, peritos e bombeiros interrogavam os parentes sobre descrições que pudessem ajudar no trabalho de identificação. Alguns liam e trocavam informações, outros se aquietavam com os olhares perdidos.

Pequenos detalhes transformam-se em bálsamos preciosos para quem carece de algum conforto de espírito. Um engenheiro que perdeu o tio no avião fez o minucioso trabalho de criar um gráfico no computador identificando a posição em que estava cada um dos passageiros, coisa que a TAM não tinha feito até então. Depois, ele circulava cada um dos nomes de vítimas identificadas pelo IML, para que as famílias pudessem saber qual a chance de seus entes serem, finalmente, os próximos a sair da lista do anonimato. Cada um dos familiares olhava para o trabalho com zelo e carinho. Também o escondiam dos funcionários contratados pela TAM. "Se eles virem isso, vão querer pegar", disse um dos familiares. E por que não poderiam? "Nós fizemos o nosso trabalho, eles que façam os deles".

É assim a relação entre os representantes da TAM e os familiares das vítimas do acidente, como a convivência entre dois inimigos íntimos que dividem o mesmo teto, desconfiando e sabotando um ao outro o tempo todo. Os funcionários são servis e opressores ao mesmo tempo. São solícitos. Providenciam remédios, psicólogos e até artigos de vestuário. E mantém a guarda, tentando sempre evitar que repórteres se aproximem, e quando não conseguem – o que quase sempre acontece – ficam colados para ouvir o que está sendo dito.

Em algumas ocasiões, a insensibilidade inábil da TAM beira o amadorismo. Parece piada, e seria risível se não fosse trágico, mas a empresa enviou aos familiares uma carta de condolências. No dia 24 de julho, uma semana depois do acidente. "Fiz questão de picar em pedacinhos e jogar no lixo", disse a mãe de uma das vítimas. É nesse clima que a dor e a tristeza também se transfiguram em força e combatividade. E essa disposição briga contra o tempo, para que as lonas se mantenham de pé e as luzes não se afastem dos atores enquanto os legistas não identificarem seus filhos, pais e irmãos, os responsáveis não forem apontados, os que devem não forem obrigados a pagar com seus lucros pelo dano que causaram, os jornalistas lhes dêem as costas e eles sejam mais um marco histórico esquecido, um número citado em crises futuras, sozinhos na escuridão de sua dor e no abandono das autoridades.
(Andréa Leal)

Comentários Comentários () > Link da nota

27/07/2007
Algumas famílias não vão conseguir enterrar as vítimas do acidende da TAM

“Não há corpos, apenas pedaços. Grande parte dos mortos na tragédia pode não ser identificada”, diz Carlos Alberto de Souza Coelho, do Instituto Médico Legal Central de São Paulo. O legista coordena a identificação das vítimas do acidente da TAM, ocorrido no dia 17 de julho. No início da semana passada, duas reuniões entre familiares de vítimas, autoridades do governo e da Justiça de São Paulo foram marcadas por dúvidas. As famílias não aceitam a idéia de não poderem enterrar seus parentes. “Quanto tempo ficaremos nessa agonia? Não é possível que vocês não tenham uma data para nos dar”, disse um senhor que carregava a foto do filho falecido colada na camisa. O IML admitiu que nem através de exame de DNA será capaz de identificar todas as vítimas, já que muitas delas ficaram completamente carbonizadas. Apesar das lágrimas e da indignação dos familiares, muitos vão levar para casa apenas um boletim de ocorrência de morte presumida. Documento que afirma que a pessoa pode ter perdido a vida no acidente. Nesses casos, é necessário que a família acione a Justiça para obter o atestado de óbito. Sem ele, o inventário do falecido não pode ser feito. Segundo a desembargadora Maria Berenice Dias, do Rio Grande do Sul, sem o atestato de óbito, essas famílias podem ter problemas na partilha dos bens da vítima. Pela lei, uma pessoa desaparecida só pode ser considerada morta depois de 10 anos do sumiço. Só a partir daí os herdeiros poderiam dispor de seus bens. “Alguns juízes podem optar por esperar esse tempo”, diz a desembargadora. “Mas confesso que, num acidente como esse, eu decidiria pela sucessão definitiva dos bens”.
(Juliana Arini e Solange Azevedo)

Comentários Comentários () > Link da nota

25/07/2007
TAM suspende venda de passagens também em Cumbica


A TAM anunciou nesta quarta-feira (25) a suspensão de venda de tíquetes com saída ou chegada no Aeroporto Internacional de Cumbica, Guarulhos. Na terça (24), a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já havia proibido as empresas aéreas de vender passagens de vôos saindo de Congonhas.

Segundo a empresa, a medida foi tomada para acomodar os passageiros que já haviam comprado as passagens e ainda não conseguiram embarcar. A nota da TAM informa ainda que as vendas devem ser retomadas na quinta-feira (26).

A TAM pede aos passageiros que entrem em contato com a Central de Atendimento (4002.5700, nas capitais e principais cidades brasileiras, ou 0800.5705700 nas demais cidades) para remarcar a passagem.

A Gol também anunciou nesta quarta (25) que não está vendendo bilhetes a partir de Guarulhos porque os vôos já estão todos lotados.

Comentários Comentários () > Link da nota

25/07/2007
Deputado do PV pede quebra dos sigilos bancários dos dirigentes de Anac, Infraero e Aeronáutica.


O Partido Verde (PV) pediu à CPI do Apagão Aéreo na Câmara a quebra dos sigilos bancários dos dirigentes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Infraero e da Aeronáutica. Segundo o deputado Sarney Filho (PV-MA) os requerimentos foram apresentados nesta quarta-feira (25) à Comissão que investiga a crise aérea brasileira. Os pedidos apresentados pelo PV podem ser votados já na sessão desta quinta-feira (26). Um outro requerimento que pede a abertura de um processo administrativo contra a Anac, também aguarda votação na Comissão.

O presidente da Anac, Milton Zuanazzi, que esteve na Câmara prestando depoimento na manhã de quarta-feira, disse que não tem problemas em apresentar as movimentações de suas contas bancárias.

Em seu depoimento à CPI, Zuanazzi negou que a Anac seja responsável pela crise aérea e chegou a se irritar com alguns parlamentares. Para ele, as principais causas dos problemas da aviação brasileira são excesso de escalas e a falta de infra-estrutura. "Essa culpa não é da Anac. Estão culpando quem não tem culpa. Recebo todas as críticas com humildade, mas aquelas que não são justas, me sinto no direito de não aceitá-las", disse Zuanazzi.

Para o Zuanazzi, as soluções para o fim da crise seriam a ampliação do Aeroporto de Cumbica e a construção de um novo aeroporto em São Paulo. Segundo ele, a Anac vem tentando diminuir o fluxo de aeronaves em Congonhas e o problema agora é encontrar outro aeroporto capaz de absorver a demanda pelos vôos desviados do aeroporto.

Milton Zuanazzi afirmou que não pretende deixar o cargo. "Se qualquer parlamentar, qualquer cidadão entender que as responsabilidades primárias são da Anac, não tenho problema. Nunca fui apegado a cargos. Mas como tenho convicção que nenhum parlamentar no meu lugar estaria fazendo coisas diferentes, não tenho essa cogitação", disse.

Comentários Comentários () > Link da nota

25/07/2007
Enquete: Seu medo de voar aumentou depois do acidente da TAM?

ÉPOCA Negócios, revista mensal de economia da Editora Globo, lançou uma enquete para descobrir o impacto do acidente da TAM na confiança dos brasileiros no setor aéreo. Você ficou com mais medo de voar depois da tragédia?

Clique e dê sua opinião.

Comentários Comentários () > Link da nota

25/07/2007
Você é o repórter: entreviste Gideon Ewers

Todos os leitores de ÉPOCA estão convidados a enviar suas perguntas sobre o caos aéreo para Gideon Ewers, porta-voz da Federação Internacional de Associações de Pilotos de Linhas Aéreas (Ifalpa). Leia abaixo o perfil completo do entrevistado.



Começou sua carreira como oficial de infantaria do Exército Britânico e passou pela Marinha antes de tornar-se piloto de aviões. Foi editor de diversas revistas sobre aviação nos Estados Unidos e na Inglaterra e comentarista do assunto para rádios e TVs como BBC, CNN e Sky News. É porta-voz da International Federation of Air Line Pilots' Associations (Ifalpa, sigla em inglês para Federação Internacional das Associações de Pilotos de Linhas Aéreas), organização que representa mais de 100 mil pilotos no mundo todo. Envolvida com as condições de segurança de vôo em vários países, a Federação lançou, no último dia 18, um comunicado que dizia que o acidente com o Airbus da TAM mais uma vez demonstrava a necessidade da construção de uma área de escape em Congonhas.

Comentários Comentários () > Link da nota

25/07/2007
Lula troca comando da Infraero

Segundo informações exclusivas do colunista de política de ÉPOCA, Thomas Traumann, o ex-presidente do Banco do Brasil, Rossano Maranhão, aceitou o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir a Infraero, a estatal responsável pela gerência dos aeroportos.

A troca deve ser anunciada depois da confirmação do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, no Ministério da Defesa. Economista, Maranhão fez carreira no Banco do Brasil. Mesmo considerado próximo do PSDB, foi indicado pelo ex-ministro Antonio Pallocci para a presidência do BB em 2005, quando ganhou confiança de Lula pela abertura de linhas de crédito. Saiu em 2006, depois de vários embates com o PT, para o Banco Safra.

Desde maio, Lula buscava um gestor para substituir o brigadeiro José Carlos Pereira da presidência da Infraero. Em junho, numa conversa com um governador que reclamou da demora da estatal em tocar uma obra, o presidente avisou que a demissão do brigadeiro era "questão de dias. Não agüento mais a intrigalhada dentro da Infraero".

Comentários Comentários () > Link da nota

25/07/2007
Nelson Jobim substitui Waldir Pires na Defesa


O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, conversou ontem com o presidente Lula no Palácio do Planalto e decidiu aceitar o convite para substituir Waldir Pires no Ministério da Defesa.

Ele já havia recusado o cargo duas vezes: uma em março, quando Lula fez a composição do ministério do segundo mandato e outra na semana passada, logo depois do acidente da TAM. O anúncio da mudança deve ser feito nesta quarta-feira (25) e a posse pode acontecer ainda hoje.

Desde o início da crise aérea, o nome de Jobim era cotado como a principal alternativa do presidente Lula para o Ministério da Defesa.

O desgastado ministro Waldir Pires já havia sido avisado de que poderia deixar o cargo e deve ter um encontro com Lula para definir seu destino.

"Você tem carta branca", disse Lula a Jobim
Ao convidar o ex-presidente do STF, Nelson Jobim, o presidente Lula afirmou que ele terá "carta branca para fazer o que for necessário" para diminuir o caos aéreo. Esse foi o terceiro convite de Lula a Jobim para participar do governo, mas nas outras duas vezes, Jobim não tinha garantias de que teria autonomia total. No final do ano passado, Jobim também havia sido sondado para o Ministério da Justiça.

Comentários Comentários () > Link da nota

24/07/2007
EXCLUSIVO ÉPOCA

Falha no reversor foi decisiva, diz caixa-preta

Osmar Freitas Jr., de Nova York


O National Transportation Safety Board (NTSB), o orgão americano que auxilia na investigação das caixas-pretas do Airbus da TAM, terminou nesta terça-feira (24) a coleta de dados que ajudarão a esclarecer a causa do acidente da semana passada. ÉPOCA entrevistou com exclusividade uma autoridade do Office of Accident Investigation (OAI), órgão investigativo ligado ao NTSB, e apurou as seguintes informações:

1) Ao contrário do que se imaginou logo após o acidente, o piloto da aeronave não tentou arremeter depois de ter pousado em Congonhas. Em vez disso, o comandante se esforçou para frear o aparelho. Conforme mostram os dados da caixa-preta, houve desaceleração de 24% de diminuição na velocidade, desde o toque no solo até o choque. Os deputados Marco Maia (PT-RS) e Efraim Filho (DEM-PB), que acompanham os trabalhos das autoridades americanas, afirmaram hoje que o avião da TAM bateu no prédio da companhia a uma velocidade de 175 km/h. O funcionário da OAI não confirmou essa informação.

2) A falta do reversor direito – um tipo de freio que ajuda na redução de velocidade e estava travado naquele momento – teria prejudicado a manobra. "Normalmente, o uso do reversor não é procedimento fundamental no pouso", afirmou a ÉPOCA a autoridade do OAI. "No entanto, em pistas como a de Congonhas naquela situação (curta e encharcada), o reversor se torna imprescindível. A ausência de ranhuras na pista fez o Airbus hidroplanar, e sem o recurso do reversor direito, a frenagem foi impossível."

3) O avião estava muito pesado para pousar naquelas condições. "O excesso de peso (98% da capacidade) também contribuiu para o desastre", afirmou a autoridade do OAI. "É possível notar na trajetória do aparelho, depois do pouso, que o comandante tentou aquilo que chamamos de ‘cavalo-de-pau’, virando a aeronave aproveitando a freagem do reverso que estava em funcionamento.”

A transcrição do CVR (o gravador de áudio da cabine dos pilotos) foi completada, faltando apenas sua tradução para o inglês, um procedimento padrão nesses casos. A coleta de dados do FDR (o gravador de informações de vôo), na segunda caixa-preta, mostra 580 parâmetros de vôo. Foram selecionados 60 dessas informações, consideradas as principais para o esclarecimento do acidente. A recuperação do material teve aproveitamente total (100%) e deve chegar ao Brasil na sexta-feira.

Comentários Comentários () > Link da nota

24/07/2007
Pastor morto no acidente teria tido visão do acidente

O pastor da Assembléia de Deus, Luiz Antonio Rodrigues da Luz, uma das vítimas do vôo 3054 da TAM, disse, em um dos seus cultos, que havia tido uma visão: "Eu vi dezenas e centenas de pessoas mortas enroladas em alguma coisa que eu não consegui discernir, e que eram levadas para um lugar estranho e escuro", diz. O vídeo do culto foi colocado no Youtube.

Segundo o próprio pastor conta, a visão teria ocorrido em fevereiro, logo após ele ter voltado de uma viagem ao Japão.

O pastor conta que, ao acordar, chorou muito. "Não pela tristeza da experiência, mas porque onde estive estava tão bom que me deu um desespero quando voltei", diz durante a pregação.

O vídeo da suposta "premonição" foi gravado em um congresso de evangélicos em Camboriú, Santa Catarina, em abril deste ano. O arquivo, que tem duração de dez minutos e já foi visto 120 mil vezes.

O pastor Luiz Antonio Rodrigues da Luz, morto no acidente, tinha 43 anos e exercia sua função na Assembléia de Deus da cidade de Ivoti, no Rio Grande do Sul. Ele deixou esposa e três filhos. Assista ao vídeo.

Comentários Comentários () > Link da nota

24/07/2007
Desrespeito, leniência, ganância e corrupção

Como presidente da Associação e como quem, neste momento, tem em sua prioridade fornecer apoio aos familiares de mais esse acidente, o que tenho procurado fazer é acompanhar as vítimas. Esse momento é de muita dificuldade. Principalmente na cobrança de uma postura da TAM como empresa responsável.

Participei com os familiares da primeira reunião feita com o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna. O que presenciei foi uma postura fria. Por mais que ele quisesse demonstrar tristeza e sensibilidade, ele não nos convenceu.

As famílias me pediram para participar desse encontro, pois não tinham condições emocionais para falar com os representantes da TAM. Ao ouvir minhas declarações, o presidente da TAM ficou sem reação. Inclusive admitiu seus erros. Até me convidou para uma reunião onde eu possa dizer a ele sobre "o que pode ser mudado" e "onde ele errou".
Quer saber? Acho que ele quis posar de bom mocinho. Foi a melhor saída, estou certa?

Inaceitável, inaceitável, inaceitável.

Mais de 10 meses de caos aéreo. Mais de 350 vítimas fatais.

Desrespeito, leniência, ganância e corrupção.

Neste domingo faremos uma passeata até o local do acidente. E, no dia 18 de agosto, queremos decretar o "No Fly Day". Queremos que, nesse dia, ninguém voe de avião no Brasil.

(Sandra Assali)

Comentários Comentários () > Link da nota

23/07/2007
Escritora americana critica TAM em jornal americano

A escritora Elizabeth Spiers contou, em artigo ao jornal The Washington Post, sua experiência com o sistema aéreo brasileiro e com a empresa TAM. Ela viajou com o namorado para Manaus e reclamou dos seguidos atrasos e cancelamentos que enfrentou para pegar seus vôos.

Seu namorado, que foi jornalista especializado em turismo durante 15 anos, classificou o serviço oferecido pela TAM como o pior do mundo.

Ela avalia que a maior parte do problema pode ser atribuída ao modo como o governo brasileiro força a TAM a operar, com vôos saindo das maiores cidades do país e nenhuma aviação regional.

Leia a íntegra do
artigo publicado pelo jornal americano The Washington Post.

Comentários Comentários () > Link da nota

23/07/2007
Embarque de Tarso demora apenas 20 minutos

Desde terça-feira (17), a situação de atrasos e caos nos aeroportos brasileiros só piorou. Mas algumas autoridades não precisam conviver com essa realidade. É o caso do ministro da Justiça, Tarso Genro, que decolou no sábado (21) em um jatinho LearJet da Força Aérea Brasileira (FAB). Seu embarque durou 20 minutos. Tarso desembarcou e foi direto ao encontro de sua equipe, alocada em uma sala VIP, com máquina de café e TV a cabo.

Ao mesmo tempo em que Tarso entrava no avião, um grupo de 14 passageiros, no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, esperava há três horas um vôo para Santiago, no Chile.

Apenas no sábado (21), antes do apagão no Cindacta-4, em Manaus, haviam sido registrados 49 vôos atrasados e quatro cancelamentos. Os passageiros em espera tiveram suas bagagens despachadas, mas esperavam no check in.

Você acha justo as autoridades brasileiras escaparem da crise? Dê sua opinião.

Comentários Comentários () > Link da nota

23/07/2007
Dilma anuncia um novo aeroporto para a Grande São Paulo

Segundo anúncio da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, nesta sexta-feira (20), o Conselho de Aviação Civil (Conac) decidiu construir um novo aeroporto em São Paulo.

Segundo a ministra, ainda não há um local definido para a construção, mas não será na capital. E evita dar mais informação: "Jamais iria dizer onde será o novo aeroporto para não sermos fontes de especulação imobiliária."

Os estudos sobre a melhor localização para o novo aeroporto serão feitos pela Aeronáutica, que levará em conta a densidade populacional dos arredores para decidir. O Conac também vai determinar estudos para readequação e ampliação dos aeroportos de Viracopos (Campinas), Cumbica (Guarulhos) e Congonhas, onde aconteceu o acidente.

Dilma acredita que as empresas aéreas não vão reclamar nem ir contra as decisões do Conac, já que seu serviço é uma concessão e estão submetidas a regras de órgãos como o Conac para trabalhar.

Comentários Comentários () > Link da nota

23/07/2007
Piloto não teria tentado arremeter

O deputado Efraim Filho (DEM-PB), que integra a Comissão Parlamentar de Inquérito da Crise Aérea, divulgou nesta segunda-feira (23) as primeiras informações obtidas a partir da análise da caixa-preta do Airbus 320 da TAM. Os dados indicam que o piloto não tentou arremeter (voltar a subir) a aeronave.

Em entrevista à rádio Câmara, o deputado afirmou que o procedimento foi de pouso e que houve dificuldade em frear o avião. O parlamentar está nos Estados Unidos, para onde a caixa-preta foi enviada. A análise está a cargo do laboratório do National Transportation Safety Board.

Segundo o deputado Marco Maia (PT-RS), relator da CPI do Apagão Aéreo, que também está nos Estados Unidos, os técnicos também avaliam a hipótese de que uma das causas do acidente esteja ligada ao computador que coordena as ações da aeronave durante o vôo. Está sendo investigada uma possível falha no computador ou um comando errado por parte do piloto.

Os peritos também não descartam a hipótese de a pista do Aeroporto de Congonhas ter contribuído para o acidente.

Comentários Comentários () > Link da nota

23/07/2007
Controladores defendem intervenção para resolver crise aérea brasileira

A Federação Internacional dos Controladores Aéreos (Ifacta, na sigla em inglês) defendeu uma intervenção internacional urgente para solucionar a crise na aviação brasileira. Para a entidade, o governo está preso num debate político interno e mostrou-se incapaz de resolver o problema sem ajuda da comunidade internacional.

“O Brasil precisa entender que apagão ocorre num país a cada 15 anos. Não uma vez por mês”, afirmou Marc Baumgartner, presidente da entidade, ao jornal O Estado de São Paulo.

A declaração foi dada no fim de semana, depois que o centro de controle áereo de Manaus (AM), o Cindacta-4, sofreu um apagão. A pane interrompeu vôos domésticos e internacionais que passavam pela região amazônica. A pane aconteceu na madrugada de sábado (21) e deixou os aeroportos lotados. No domingo, quase metade dos vôos teve atraso de mais de uma hora.

O problema afetou aeroportos nos Estados Unidos. As empresas afetadas, a American Airlines e a Delta Airlines, não se manifestaram sobre o assunto. Mas fontes de entidades de aviação afirmaram que companhias que operam no Brasil estão revendo normas de vôo. É possível que os pilotos adotem medidas de segurança semelhantes às usadas na África, considerada o espaço aéreo mais perigoso do planeta.

O presidente da Infraero, José Carlos Pereira, reagiu com irritação à sugestão da Ifacta. "São uns imbecis querendo se meter. O Brasil não precisa de ajuda internacional", disse, irritado, o brigadeiro José Carlos Pereira, nesta segunda-feira (23). "Eles que cuidem do espaço aéreo deles e nós cuidamos do nosso".

Para o presidente da Infraero, será preciso "cortar na própria carne". "Foi uma tragédia sim, mas é uma tragédia nossa. Tem erros, sim. Mas vamos resolvê-los cortando na própria carne", afirmou.

Qual sua opinião sobre uma possível intervenção internacional na crise aérea?

Comentários Comentários () > Link da nota

23/07/2007
Câmera de vítima é encontrada pela família

"Ficou uma lembrança muito bonita da semana que minha filha passou com o namorado", disse Archelau Xavier, pai de Paula Masseran de Arruda Xavier, de 23 anos, vítima do acidente do vôo 3054 da TAM. Ele conseguiu achar a câmera de Paula no Instituto Médico Legal e recuperou imagens da filha. Paula voltava de uma viagem de uma semana a Gramado junto com o namorado, Lucas Palomino Mattedi, de 24 anos.

O relato de Xavier destoa entre os depoimentos de parentes de outras vítimas do acidente, que não tiveram a sorte de encontrar algum pertence que servisse como lembrança.

O médico Maurício Pereira, cuja filha morreu no acidente, achou uma carta dentro de uma bolsa. Pela assinatura, foi possível localizar o filho da vítima. No papel, a mulher agradecia a alguém pela viagem.

A maioria dos pertences, no entanto, não são encontrados. Há dificuldade de identificação de corpos e os parentes criticam a lentidão do trabalho do IML.

Comentários Comentários () > Link da nota

20/07/2007
Assessor de Lula faz gestos obscenos
ao saber de defeito no avião da TAM


O assessor para Assuntos Internacionais do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, e seu assessor de imprensa, Bruno Gaspar, reagiram com gestos obscenos à notícia de que o avião da TAM tinha um defeito no reverso da turbina.

Imagens divulgadas pela GloboNews TV na noite desta quinta-feira mostraram Garcia e Bruno de pé, na sala do assessor de Lula, no terceiro andar do Palácio do Planalto, vendo o Jornal Nacional no momento da notícia. Quando o apresentador William Bonner informou que a aeronave apresentava defeito, e que a TAM já sabia do problema, o assessor do presidente fez o movimento de espalmar umas das mãos e bater contra a outra, fechada. Na seqüência, Bruno faz uma encenação com os braços, simulando o gesto de copular.

A cena foi capturada por um cinegrafista da Rede Globo, posicionado do lado de fora do Palácio do Planalto.

Marco Aurélio tentou justificar sua reação: “Essas imagens refletem minha indignação frente a uma determinada versão que se quis passar para a opinião pública, que creditava ao governo a responsabilidade de um acontecimento dramático. É indignação, porque não se trata simplesmente de jogar a responsabilidade nas costas do governo. Trata-se de explorar uma tragédia na qual morreram 200 brasileiros. Então, isto é um sentimento de indignação, é uma reação privada que qualquer pessoa de bom senso teria neste momento”, disse.

Comentários Comentários () > Link da nota

19/07/2007
Justiça vai intimar Anac e Infraero
A Justiça Federal vai intimar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) para prestar esclarecimentos sobre a ação civil movida pelo Ministério Público Federal que pede o fechamento do Aeroporto de Congonhas.

O MPF também pede uma liminar que impeça o aeroporto de operar “até que sejam confirmadas suas devidas condições de segurança e afastadas as dúvidas trazidas pelo acidente”.

O juiz Clécio Braschi, que recebeu a ação, decidiu ouvir os dois órgãos, que são réus no contexto, antes de decidir se irá ou não conceder a liminar. As instituições devem ter três dias para enviar as informações solicitadas.

Comentários Comentários () > Link da nota

19/07/2007
Congonhas precisa de área de escape 2

O diretor brasileiro da Ifalpa (Federação Internacional de Associações de Pilotos de Linhas Aéreas), Bruce D’Ancey, disse à BBC que o que aconteceu em Congonhas foi a chamada “runway excursion”, quando os aviões ultrapassam os limites da pista. Segundo ele, um quarto de todos os acidentes no mundo é causada por esse problema.

Quando não há a possibilidade de haver 60 metros de asfalto e 240 metros de área livre além da pista, a Ifalpa recomenda a instalação de um "arrestor bed", isto é, uma área de concreto mole em torno da pista. Caso o avião saia da rota, ele afundará nesse concreto.

Para D’Ancey, a saída da pista não é um problema exclusivo de Congonhas e acontece em média uma vez por semana no mundo. Só na semana passada, foram quatro.

Isso não quer dizer que os aeroportos dentro das cidades tenham que ser desativados. Para o porta-voz da Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos, Les Dorr, é possível criar condições de segurança. Nos Estados Unidos há dois aeroportos que, como Congonhas, ficam no meio da cidade: Midway, em Chicago, e Bob Hope, em Los Angeles.

Dezenove aeroportos americanos usam a tecnologia do concreto mole e mais sete a estão implementando. De acordo com a FAA, o sistema já evitou quatro acidentes nos Estados Unidos.

Comentários Comentários () > Link da nota

19/07/2007
Orkut tem mais de cem comunidades dedicadas ao vôo 3054

O site de relacionamentos Orkut acabou refletindo a indignação e a perplexidade causadas pelo acidente com avião da TAM. Até o momento, existem mais de uma centena de comunidades dedicadas ao vôo 3054, nas quais as pessoas expressam suas opiniões e lamentam as mortes do maior acidente da aviação brasileira.

As comunidades criadas no Orkut reúnem vídeos do acidente, notícias publicadas pela imprensa, protestos, discussões sobre as possíveis causas e promovem enquetes. Em algumas das comunidades, foram reunidas as páginas das pessoas que estavam no vôo 3054. Com a divulgação desses perfis, as páginas de recados das vítimas ficaram repletas de mensagens, como “descanse em paz” ou “não te conhecia, mas espero que esteja em paz”.

Na comunidade “Acidente da TAM em Congonhas!”, uma usuária esclarece que seu perfil havia sido incluído entre os das vítimas por engano ou por maldade. Sua página de recados está cheia de recados de pêsames e condolências, o que a forçou a colocar um aviso para desmentir a confusão: “gente, eu tô viva!!!”. Um outro tópico conclama as pessoas a fazerem um minuto de silêncio em homenagem às vítimas. Os usuários do site entram e deixam um recado em branco, sinalizando que atenderam ao pedido do criador da idéia.

Comentários Comentários () > Link da nota

19/07/2007
Congonhas precisa de área de escape

A Federação Internacional de Associações de Pilotos de Linhas Aéreas (Ifalpa, na sigla em inglês) divulgou um pedido às autoridades do setor aéreo para que o aeroporto de Congonhas e todos os outros em operação no mundo tenham áreas de escape mais extensas no fim das pistas de pouso.

De acordo com a Federação, que representa cerca de 100 mil pilotos em mais de 95 países, a área de escape deveria ter 300 metros de extensão.

A pista de Congonhas tem 1940 metros de extensão e nenhuma área de escape gramada. Segundo os especialistas, esse espaço de manobra para os aviões deveria ocupar um espaço correspondente a, pelo menos, um terço da pista.

A importância da área de escape é ainda maior no caso do aeroporto de Congonhas, que fica no meio da área urbana de São Paulo.

Comentários Comentários () > Link da nota

19/07/2007
Morre mais uma vítima do acidente

Uma pessoa resgatada do prédio da TAM Express morreu nesta madrugada. Ela estava internada no Hospital Jabaquara e não resistiu aos ferimentos.

Quatro das 14 pessoas retiradas com vida do local do acidente morreram.

Comentários Comentários () > Link da nota

19/07/2007
Vôos da Ponte Aérea estão pousando em Guarulhos

Os vôos que partem do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, não estão pousando em Congonhas, zona sul de São Paulo. Os aviões foram desviados para o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. A Infraero não informou o motivo da mudança.

Comentários Comentários () > Link da nota

19/07/2007
Fokker 100 arremete em Congonhas



Dois dias depois do acidente com o Airbus 320 da TAM, um avião Fokker 100 da empresa teve que abortar uma tentativa de pouso. O vídeo mostra claramente o momento em que o piloto muda de trajetória e retoma altitude.

A manobra é arriscada e teria sido feita porque o avião não conseguiria tocar a pista no ponto correto para a aterrissagem.

Confira no
G1 o vídeo.

Comentários Comentários () > Link da nota

18/07/2007
O Jornal Nacional desta quarta-feira divulgou o vídeo do momento do pouso do vôo JJ 3054 da TAM no aeroporto de Congonhas. As imagens mostram o avião passando em alta velocidade pela pista, antes de se chocar com o prédio da TAM Express.

Clique
aqui para ver o vídeo.

Comentários Comentários () > Link da nota

18/07/2007
Governo não deve poupar cabeças desta vez

Pressionado pelo segundo acidente aéreo de grandes proporções em menos de um ano, o governo Lula está disposto a punir os culpados pela crise aérea que afeta o país.

Segundo informações de bastidores do Planalto, a situação está complicada para o ministro da Defesa, Waldir Pires. Ele não foi destacado pelo presidente para acompanhar o resgate das vítimas em São Paulo. O brigadeiro Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, esteve na capital paulista e fez, inclusive, uma vistoria informal na pista do aeroporto utilizada pelo avião Airbus 320 da TAM que explodiu no fim da tarde de ontem ao bater contra um prédio da TAM Express.

Comentários Comentários () > Link da nota

18/07/2007
Ministério Público entra com ação para fechar Congonhas

O Ministério Público Federal protocolou nesta quarta-feira, na Justiça Federal, uma ação civil pública para fechar o aeroporto de Congonhas. A mesma ação já havia sido protocolada há seis meses com o mesmo objetivo: evitar novos acidentes em decorrência das condições inadequadas da pista do aeroporto.

Quem assina a ação são os procuradores da República Fernanda Taubemblatt e Márcio Schusterschitz. Seu objetivo é fechar o aeroporto até que seja feita uma investigação sobre a pista. Enquanto isso, os vôos seriam transferidos para Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas). A primeira ação alegava risco de vida dos passageiros, tripulantes e moradores das redondezas do aeroporto.

As duas pistas de Congonhas passaram por reformas. Na auxiliar, ela foi concluída. Na principal, liberada no último dia 30 de junho, faltava ser aplicado o "grooving", as ranhuras feitas na pista para facilitar o escoamento da água e ajudar a aumentar a aderência entre os pneus e o solo.

Nesta segunda-feira, um avião de pequeno porte da empresa Pantanal derrapou e interditou a pista por 20 minutos.

Comentários Comentários () > Link da nota

18/07/2007
Primeira vítima do vôo 3054 é enterrada

O empresário Osvaldo Luiz de Souza foi enterrado no fim da tarde desta quarta-feira. Ele morreu depois de ser atingido por uma parede do prédio da TAM Express, que desabou com o choque do avião.

Osvaldo era proprietário de uma transportadora e estava com dois irmãos no prédio da TAM Express no momento do acidente. Um deles indicou para o bombeiro onde estava Osvaldo. O resgate foi feito pouco antes de acontecerem as explosões.

Comentários Comentários () > Link da nota